quarta-feira, 15 de maio de 2013
domingo, 23 de dezembro de 2012
segunda-feira, 30 de maio de 2011
cão amor
Por quê quem tem e quem gosta dele
conhece o amor puro que ele nos traz.
Juju desencarnou, e deixou na casa um espaço vazio
porque não mais preenchido de sua alegria
e de seus passinhos ligeiros.
Seu rostinho melancólico me traz uma saudade,
mas ele está guardado na minha memória
e isto não tem como arrancar mais.
Ela é simplesmente um cão
Mas o que é um cão que preenche o seu lugar do afeto?
Tudo!
Me perdoa, Juju!
Me perdoa, porque dói muito.
A saudade é grande, e a falta que você faz também.
Você é a coisinha mais linda do mundo.
E lá fora, no mundo, existem milhões de cães que precisam de amor
Que querem companhia
Você não está só, meu neném.
E eu sei que você está bem,
Que você ganhe alegrias e força do lado de lá
que volte a brincar
e que, se esqueça da gente.
Por que a gente vai estar com você em cada ser que te cuidar
E cada cão que eu tiver ainda um dia, estarei também cuidando de você.
Aceitar a partida é difícil
é algo de inalcançável, inatingível.
A dor é silenciosa e profunda.
É, de fato, alguém partindo.
Alguém com presença na nossa vida
E que foi, sorrindo.
Palavras são tão pobres no alcance de um toque
de um olhar
Mas esta instância só posso tocar através da memória.
Onde te faço viva e saudável
Por que um dia todos nós também iremos, minha cara Julie.
E a importância de um cão não é menor que a de um ser humano.
Ela é tão importante quanto, para mim.
Cão-anjo, em evolução.
Que vive no meu corpo, coração.
Em cada cão que eu olhar,
Em cada cão que eu tocar,
Em cada cão que eu tiver um dia
Estarei pensando em ti
Aonde estará meu pensamento
Cão-anjo, presente que alegra nossas vidas
Mas que deixa um buraco na hora que vai.
Mamãe vai aprender ainda a amar m cão,
da forma mais adequada, respeitando o seu cão-ser.
Por que é assim que tem que ser.
Minha danadinha
Ah, sei que é piegas, vai!
Mas, vai com Deus, florzinha.
Como eu te costumava chamar.
Seus olhinhos não estão mais doente
e agora são os meus que choram.
Juju um dia vai se tornar gente.
E, ah, quanto tempo passará.
Lá fora, o mundo tá uma confusão só.
No lugar em que a palavra me conforta,
vou aprendendo a ser gente melhor.
Juju criou asas e voou,
mas continua perto.
Juju, um amor.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
?!...
Eu tinha o mundo inteiro para conquistar e uma vontade louca de não me sentir vazia, de não ficar sozinha. Vontade louca de sair deste lugar que já não me satisfazia.
Cada viagem me trouxe uma percepção diferente sobre o que eu eu gosto e o que eu quero para a minha vida. E eu percebo cada vez mais que o que eu quero e gosto está em cada pedaço de terra que pisei, fragmentando-se aos poucos e me deixando louca porque minhas curtas pernas não alcançam todos estes lugares ao mesmo tempo. É só o pensamento que voa, voa mais rápido que tudo e quando ele retorna para o lugar aonde estou, deixa uma bagunça aqui dentro...
Me sinto vazia agora, ou pelo menos sinto que tenho ou tinha que esvaziar toda aquela loucura de vontades e desejos que me sobrecarregava. A vontade de partir de novo é imensa mas também existe a vontade de ficar, ficar mais um pouco, não sei por quanto tempo.
Agora o que mais sinto é que estou sozinha, por mais que tenho tentado fugir deste sentimento, será mesmo que tentei?Eu me dou conta de que não posso fugir da minha natureza.
Eu queria viver, além dos meus escritos e do montinho de livros que guardo na minha casa. Vivi, me baguncei toda, me relocoquei no "meu lugar" mesmo achando que este tal lugar nunca foi meu de verdade. Me falta uma pausa. Preciso respirar. Eu não quero decidir nada, só deixar o fluxo da vida bater de frente na minha face.
domingo, 10 de outubro de 2010
Judith!!!
Já se passaram quantos anos desde que Marlene se mudou para aquele apartamento pequeno, escuro, que ficava no décimo segundo andar do edifício central da cidade? Ela não se lembrava, ela não era capaz de se lembrar. Marlene, desde que perdeu o marido e os gêmeos Vinícius e Samantha em um desastre de carro, não conseguiu mais se libertar do desejo compulsivo de dormir estupidamente as oito e meia da noite todos os dias e acordar com duas rodelas frescas de pepino sobre os olhos toda manhã. As noites para ela eram feitas para o luto e para se lembrar da família que havia se desintegrado, mas as manhãs... ah, as manhãs eram para ela motivo para colocar o vestido mais colorido e sair cantarolando pela cidade a sua sede de viver.
Marlene tinha o hábito de cultivar quatro ou cinco amigos bem seletivos, os quais sempre se juntavam na sua casa para tomar um chá ou um suco ás cinco horas da tarde durante todos os dias da semana. Naquela tarde, Marlene estava estranha pois esquecera-se de fazer a mesa, como que de costume. Os amigos chegaram em sua casa, primeiramente V. apressado e faminto; logo em seguida S. chegou sorrindo com uma languidez no olhar e foi diretamente á mesa. Por último F. e L. chegaram juntos, o casal trocou beijos e abraços com todos ali daquele recinto e estranham o fato de Marlene não os ter recebido á porta. Aquele era um daqueles dias em que Marlene sempre definia como dias pateticamente estranhos e apertados. Marlene estava na cozinha e olhava fixamente para a água em ebulição; ela sentia ela própria em ebulição. L. entrou na cozinha e lhe deu uma - boa tarde senhorita, ao que Marlene respondeu com uma voz estranha.
Os amigos se sentaram á mesa e tomaram o chá, estava chovendo aquele dia e ventava um pouco. Marlene passou o tempo todo reclamando da empregada. - Mas é porque Judith é isto , Judith faz aquilo, ela demora demais... Os amigos se entreolharam. Eles sabiam que Marlene a ocupava todas as noites com deveres sexuais, além de obrigá-la a manter duas rodelas frescas de pepino na geladeira durante o dia para, assim que a patroa cair no sono pesado, poder pousá-las sobre os olhos azuis da patroa, azuis de tanto chorar.
Os amigos não paravam de falar. À cada pequeno gole de chá, eles disparavam cusparadas de palavras sobre a vida, sentimentos adversos, a pós modernidade, ou talvez, a pós pós modernidade e a chuva reconfortante daquela tarde vazia. Escutaram juntos alguns cds, algo como uma mistura de Baden Powell, Balão Mágico e Maria Rita e foram embora, após umas três horas. Marlene se despediu dos amigos e sentou-se no sofá. Silêncio. Mas as palavras dos amigos ainda estavam passeando na mente de Marlene. Já se passaram onze horas desde a hora em que acordara de uma longa noite cansativa de sono e lágrimas e fora preparar os bolinhos e comprar queijos para o chá. Marlene estava cansada. O relógio ainda não havia alcançado as sete horas quando Marlene gritou o nome da empregada. -Judiiiiiiiiiiiiiiiiiiiith! - Você colocou na geladeira as duas rodelas frescas de pepino que eu lhe pedi, Judith?! Judith, desta vez não correu, como era de costume, mas andou a passos lentos, quase rastejados, e respondeu um sim curto e grosso. Marlene lhe disse que estava muito cansada e que por isto iria dormir mais cedo naquele dia. Pedira para Judith tomar banho e colocar a sua melhor lingerie, que naquela noite, elas iriam fazer amor por mais tempo que de costume. Pedira também para que ela lhe colocasse as duas rodelas frescas de pepino apenas quando o relógio batesse as cinco horas da manhã, pois naquele dia ela iria adormecer apenas quando o sol começasse a apontar no céu e que não haveria mais choro. Judith obedeceu. Tomou um banho fervente e demorado, escolheu, dentre as milhares de lingeries que havia ganhado de presente da patroa, aquela que ela mais gostava, e depois de as duas passarem horas na cama em uma performance de um amor estranho e exagerado, Judith ouviu as cinco badaladas do relógio, correu em direção á geladeira e pegou as duas rodelas frescas de pepino. Abriu a porta do quarto da patroa com cuidado para assegurar que seu sono não iria ser desperto, e quando suas mãos quase tocavam os olhos da patroa, Marlene segurou seu pulso com força mordendo-o e bebendo o líquido vermelho claro e ralo que saía dele. Judith caiu sobre o seio de Marlene, como que beijando-o, e o seu sangue escorria pelo corpo da patroa e estocava-se em sua parte genital.
domingo, 12 de setembro de 2010
sábado, 7 de agosto de 2010
Coisinhas
Lendo e relendo livros e revirando gostos já guardados em algum lugar desta imensa memória pré-este mundo. E a certeza que a delícia da vida está por aí... nas xícaras de café bem tomadas, nos livros que, mesmo que a princípio não bem entendidos, foram bem devorados, no amor que, do mar agitado e incerto se transforma em um lago sereno e cheio de flores e aves, naquelas guloseimas que te fazem engordar, mas sinceramente, não estas nem aí.
Então, á noite, quando dormes sozinha, embrulhada em lençóis e cobertores baratos, uma música canta em teus ouvidos, um vapor sopra uma nuvem de ideias, que agora já nem pertencem a ti somente, mas a todo o mundo.
Os filmes que devoras são agora parte de ti, e fazem parte da tua herança, do teu legado, pois estão registrados em tua corrente sanguínea, assim como os livros, os alimentos de cada dia e cada foco de atenção prestado.
As tuas palavras já não são mais tuas, mas dele e de quem mais quiser.
A dor e a delícia consiste em conhecer-te a ti mesmo a cada dia, e lamentar e sorrir, ao mesmo tempo.
Então a felicidade abre-se na tua frente quando alimentas os passarinhos do teu pequeno jardim e quando levas a tua pequena cadelinha para passear por alguns minutos durante o dia. E percebes que, não precisas muito mais do que isso. O que fazes é aguardá-lo surgir na tua frente novamente para que possas dividir tudo isto, quando possível.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Poeira, cidade grande, quilos de pó na face e ruídos nos ouvidos. Pessoas querendo te convencer a todo custo a comprar aquilo de que voçê não precisa para viver, ou sobreviver. Buzina de carros e asfalto duro, agressivo, que te joga para baixo.
As músicas alheias tocando nos automóveis, nos coletivos e na individualidade dos fones de ouvido de cada um.
Olho pro céu, o sol está queimando. As pessoas estão caminhando com pressa para os seus compromissos diários e eu aaaaaah bláaa.
Quero ser intensa, trazer as maiores angústias do meu ser, as maiores loucuras e magias, mas o mundo me sufoca em uma superficialidade e pressa sem fim.
Ouço Lili Marlene, uma canção que um amigo me enviou há um tempo atrás, canção de guerra.
Vor der kaserne
Vor dem grofsen tor
Stand eine Laterne
Und steht sie noch davor
So woll' n wir uns da wieder seh'n
Bei der laterne wollen wir steh'n
Wie einst Lili Marlene
Tomo milkshake e como batata frita, desejo todas as roupas daquela loja, olho pro meu armário
bagunçado e quero doar tudo para poder ir embora livre. Eu sou igual a todo mundo.
Te espero em dezembro.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
domingo, 27 de junho de 2010
o que consigo extrair dos meus dedos...
Eu já estou sentido uma falta maluca da sua presença no meu dia a dia
Está sendo muito dificil conviver com uma distância fisica imensa
O que se há de fazer?
Eu deveria ser mais maluca
Ou menos passional
E aguardar
te guardar
pra mais tarde.
Ah!
Minha casa interna vai voltar a se bagunçar de novo pois sua ausência me faz sentir incrivelmente ansiosa, nervosa, triste, infeliz, e eu vou voltar a fazer tudo errado de novo?
Preciso sair de casa e me ocupar com algo útil, preciso viver pelo menos um pouquinho, preciso não me sufocar tanto de você e encontrar meu eixo novamente.
Esperar, esperar e esperar.
e ver!
Estou um poço de lágrimas e cacos.
embriagada, ansiosa, inquieta, distraída até a raíz dos cabelos.
Preciso me reorganizar!
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Não ha título que sirva para tal proposição
Não quero me perguntar nada, só queria poder viver cada dia sem me preocupar com o que virá depois, mas não adianta. O poço da ansiedade emerge com agressividade tomando conta até da raiz dos meus cabelos. Tudo me afeta. Sensível.
Fiquei pensando como sou um sujeito híbrido, sem muita raiz em qualquer lugar, de passagem, em constante transição, caminhando por vários lugares. A minha ideia é poder criar uma rede de amigos em todo o mundo, ter um canto em cada canto.
Este lugar me sufoca sim, e não há quem diga o contrário, pois não não me pertence mais. Só me resta agora respirar e ter um pouco de paciência.
Quero fazer tudo certo, existe o certo? Pelo menos o que me parece certo.
Sou independente e preciso conquistar isto. Quero achar a minha casa, o meu lugar, que ainda não encontrei.
Estou pensando constantemente em ligar para Giancarlo, um senhor bolognese a quem tenho afeto. Apenas para senti-lo dizer: - Roberta, ti voglio tanto bene! Com aquela voz tremida de sua avançada idade.
Sinto falta de paisagens distantes daqui. Sinto incrivelmente falta da minha Pirifarina e de meus passeios comigo mesma pelas ruas de Bologna. Sinto falta dos gelati, do frio, da neve, de poder ficar andando pelas ruas de madrugada sem culpa e em paz. Eu e eu mesma. Sinto falta da loucura de Nova York, do Central Park, e de pessoas que sempre deixo....
Bebo latas de coca cola para fazer digestão dos meus pensamentos. Escrever é o único momento que me deixa realmente feliz!
Um pouco de paciência é preciso!
Tudo passa!
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Imagem fosca
sexta-feira, 30 de abril de 2010
vendo a cidade grande da janela
um maço caro de cigarro black sabor menta
uma brisa fresca
de preferência, na sombra
sempre!
Uma canção qualquer que não a irrite
Agarrada á janela do quarto
vendo a cidade grande se acabar
olhando o tumulto das pessoas que se esbarram e se vão, apressadamente
para os seus compromissos diários
E ela não quer fazer parte desta maluquice
Aquieta-se em seu canto diário
Não possui diário ou coisa parecida
Apenas as palavras desordenadas,
vomitadas de sua mente
Vê o sol que bate forte lá fora
e está feliz por estar na sombra da sua casa
Olha seu quarto, todo desarrumado
Reflete no espelho
a desordem da sua casa interior
Toma mais um gole de coca gelada
Fuma outra black sabor menta
Respira fundo, está viva!
Está viva?
Ah, como é bom viver!
terça-feira, 20 de abril de 2010
put my liptstick on...
If i fall asleep baby call me in my dreams and i will wake up in a hurry
Be so strong and take off all my lipstick with just one kiss
Give me your best energy of love and make me fell like this distance between us is nothing comparing to our desire.
burn me burn me inside of me
all night
make me forget my world, my language and my accents
make me write and speak in grammelot
just the word of love and passion
insane
sanity
drink me
iam your beer
your red wine
your cigarette
make me fell like a bird
like a cat, like a catch me
scracth me.
iam yours
just tonight
...
sábado, 7 de novembro de 2009
Impressão de um dia qualquer
Tenho vontade de me embriagar todo dia, de cerveja e de cigarro,ler os melhores livros e dançar as mais belas músicas. Tento compreender esta insanidade e este foco desfocado de cada dia, mas este turbilhão é bom, um pouco de cada um, eu tenho sede, e fome... um pouco de cada um, para variar um pouco. Ah menino, ah menina... pernas e mãos e olhos, e o sono que bate, vem forte, invade, um sono físico, psíquico, espiritual, um sono insuportável que não queria sentir.
Ei, psiu, este coração bobo se ilude mas gosta.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Olho-mar, olha, o mar o lhe-amar
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Quadrilha!
que namorava a Elena que gostava do primo
que desejava a coleguinha que pegava uma prima que gostava da professora
que era casada e havia dois filhos.
Maria nunca beijou João
Este pegou a Rita mas ela amava Elena e deixou ele na mão
Elena, que era amada, se desiludiu com o primo e pegou a estrada
O primo roubou um beijo da coleguinha
que lhe deu um olhar seco e fechou-lhe a cara
a prima que gostava da professora se desiludiu
esta largou o marido e os filhos e fugiu de casa!
Socorro! Botaram veneno na minha água! A menina corre pra casa e começa a chorar. A mãe diz que logo passa, mas para ela são milhões de segundos, minutos e dias multiplicados em eternidade! A mãe diz, bobinha, desamarra esta cara, a filha não pára, não pára, não pára. Não bebi porque quis, mãe. Tomei minha água e escolhi meia dúzia de sorrisos e olhos bonitos, fiquei encantada! Ah, como é doce gostar, filhinha! Esta peste que chega e invade. Mas a culpa é sua, filha. A culpa é sua, é também sua! Chora! Chora que dá gosto! Chora que refresca!Seja bem vinda à quadrilha!
domingo, 7 de junho de 2009
quarta-feira, 15 de abril de 2009
"Aonde te escondes?"
por entre vestidos rendados
na tela do cinema antiquado
em um beijo roubado.
Por onde te escondes?
Por vezes me escondo em palavras de amigos,
na musica, na dança e no teatro!
Me escondo em espaços fisicos e oniricos.
em biografias alheias
na vida corriqueira.
Me escondo um pouco em ti também, meu bem!
Em Shakespeare, em Moliére, em rolos de filmes antigos
Mas que se fazem presentes em meu espirito.
Me escondo na vontade louca de viver tudo
e na angustia e sensaçao de nao conseguir alcançar tudo.
Me escondo em principios dos anos 80
e um pouco neste caos do seculo XXI
Me escondo no que faz sentido para mim,
e nao para os outros.
Nas minhas regressoes a vidas passadas
na projeçao de um futuro que parece nunca chegar.
Me encontro em letras, em frases feitas, caligrafias mal-ajambradas
no misterio do gato e na dependencia do cao,
no sorriso de mulheres em preto & branco e coloridas,
nos meus vicios diarios e em lugares distantes,
em reflexoes do isntante, no caos absoluto,
no cheiro da flor, no gozo do amor,
na vida que renasce, na morte que liberta,
nas maos de mulheres e no beijo de homens,
no ludico, no metaforico,
na escrita, no meu café diario, no suspiro e...
... no silencio...
terça-feira, 24 de março de 2009
- a vida não é de se brincar pois em pleno dia se morre!( Disse Clarice)
Lispector e eu estamos tomando café em seu apartamento na tarde de domingo de mil novecentos e pedrinhas quando o gato siamês dela, lindo, gordo e extremamente dengoso surge no centro do seu apartamento miando sem parar.
- Que fofo! (disse eu). Nutro uma curiosidade alegre pelos gatos. Eles são independentes, ariscos, charmosos, misteriosos... (tomo um pouco de café para engolir o seco e continuar produzindo adjetivos para me referir aos bichanos)
Clarice o fita com cuidado, ele vai se aproximando e eles se abraçam. Ela acende um cigarro e ele dorme em seu colo.Eu dou um longo suspiro. O Brasil faz verão mas tarde da noite bate uma corrente fria la fora, e eu recolho-me em meu casaco e pensamentos. Acendo um cigarro também e compartilhamos juntas daquela fumaça agradável.
Silêncio! Não nos incomoda. Clarice escolhe um vinil e ao som daquela musica que me faz lembrar todos os filmes da minha vida começamos a brincar com as palavras que nos trazem paixão, dor e vicio! Em uma tarde do século vinte. Minha bisavó ainda esta viva e faz o que mais gosta de fazer em vida: fofocar com os vizinhos! Clarice começa a acariciar o bichano com uma agressividade carinhosa e com um olhar inexpressivo e eu sinto frio! Ela me conta o processo doloroso de G.H e eu querendo encontrar com minha barata dentro de um quarto escuro para re-começar a viver! Um sopro de vida surge no meio da conversa, é o gato que se assusta com algo (na verdade é o cigarro descuidado que cai por entre os dedos de Clarice e atinge o rosto do bichano). Ele corre pra longe sem olhar pra traz e vai buscar outro caminho . O café já esta frio pois eu estou com a estranha mania de balançar a xícara enquanto ouço o vinil, acho que para acompanhar o ritmo da musica.
Clarice cessa seu fluxo de pensamentos assim de repente, acende vários outros cigarros e vai colocar o lado B do vinil, enquanto isso caminho para a janela de seu apartamento de cobertura e olho para o chão, para a calçada, vejo um menino todo de preto caminhando na rua, sozinho, e eu fico acompanhando seus passos tentando brincar de decifrar seus pensamentos naquele instante. Seus passos são nervosos, apressados na medida em que suas pernas curtas de criança o permitem. Meus olhos estão mareados d’água. O menino cai no chão, atropelado por um outro ser animado que passa e lhe crava no peito um objeto pontiagudo. Eu o vejo caindo enquanto o outro corre pro nada. Clarice me traz uma taça de vinho e eu a bebo imaginando que aquele vinho é o sangue do menino morto na calçada. Dançamos a noite toda! Ah, o gato reaparece depois de algumas horas e se joga no meio da gente.