sábado, 7 de novembro de 2009
Impressão de um dia qualquer
Tenho vontade de me embriagar todo dia, de cerveja e de cigarro,ler os melhores livros e dançar as mais belas músicas. Tento compreender esta insanidade e este foco desfocado de cada dia, mas este turbilhão é bom, um pouco de cada um, eu tenho sede, e fome... um pouco de cada um, para variar um pouco. Ah menino, ah menina... pernas e mãos e olhos, e o sono que bate, vem forte, invade, um sono físico, psíquico, espiritual, um sono insuportável que não queria sentir.
Ei, psiu, este coração bobo se ilude mas gosta.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Olho-mar, olha, o mar o lhe-amar
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Quadrilha!
que namorava a Elena que gostava do primo
que desejava a coleguinha que pegava uma prima que gostava da professora
que era casada e havia dois filhos.
Maria nunca beijou João
Este pegou a Rita mas ela amava Elena e deixou ele na mão
Elena, que era amada, se desiludiu com o primo e pegou a estrada
O primo roubou um beijo da coleguinha
que lhe deu um olhar seco e fechou-lhe a cara
a prima que gostava da professora se desiludiu
esta largou o marido e os filhos e fugiu de casa!
Socorro! Botaram veneno na minha água! A menina corre pra casa e começa a chorar. A mãe diz que logo passa, mas para ela são milhões de segundos, minutos e dias multiplicados em eternidade! A mãe diz, bobinha, desamarra esta cara, a filha não pára, não pára, não pára. Não bebi porque quis, mãe. Tomei minha água e escolhi meia dúzia de sorrisos e olhos bonitos, fiquei encantada! Ah, como é doce gostar, filhinha! Esta peste que chega e invade. Mas a culpa é sua, filha. A culpa é sua, é também sua! Chora! Chora que dá gosto! Chora que refresca!Seja bem vinda à quadrilha!
domingo, 7 de junho de 2009
quarta-feira, 15 de abril de 2009
"Aonde te escondes?"
por entre vestidos rendados
na tela do cinema antiquado
em um beijo roubado.
Por onde te escondes?
Por vezes me escondo em palavras de amigos,
na musica, na dança e no teatro!
Me escondo em espaços fisicos e oniricos.
em biografias alheias
na vida corriqueira.
Me escondo um pouco em ti também, meu bem!
Em Shakespeare, em Moliére, em rolos de filmes antigos
Mas que se fazem presentes em meu espirito.
Me escondo na vontade louca de viver tudo
e na angustia e sensaçao de nao conseguir alcançar tudo.
Me escondo em principios dos anos 80
e um pouco neste caos do seculo XXI
Me escondo no que faz sentido para mim,
e nao para os outros.
Nas minhas regressoes a vidas passadas
na projeçao de um futuro que parece nunca chegar.
Me encontro em letras, em frases feitas, caligrafias mal-ajambradas
no misterio do gato e na dependencia do cao,
no sorriso de mulheres em preto & branco e coloridas,
nos meus vicios diarios e em lugares distantes,
em reflexoes do isntante, no caos absoluto,
no cheiro da flor, no gozo do amor,
na vida que renasce, na morte que liberta,
nas maos de mulheres e no beijo de homens,
no ludico, no metaforico,
na escrita, no meu café diario, no suspiro e...
... no silencio...
terça-feira, 24 de março de 2009
- a vida não é de se brincar pois em pleno dia se morre!( Disse Clarice)
Lispector e eu estamos tomando café em seu apartamento na tarde de domingo de mil novecentos e pedrinhas quando o gato siamês dela, lindo, gordo e extremamente dengoso surge no centro do seu apartamento miando sem parar.
- Que fofo! (disse eu). Nutro uma curiosidade alegre pelos gatos. Eles são independentes, ariscos, charmosos, misteriosos... (tomo um pouco de café para engolir o seco e continuar produzindo adjetivos para me referir aos bichanos)
Clarice o fita com cuidado, ele vai se aproximando e eles se abraçam. Ela acende um cigarro e ele dorme em seu colo.Eu dou um longo suspiro. O Brasil faz verão mas tarde da noite bate uma corrente fria la fora, e eu recolho-me em meu casaco e pensamentos. Acendo um cigarro também e compartilhamos juntas daquela fumaça agradável.
Silêncio! Não nos incomoda. Clarice escolhe um vinil e ao som daquela musica que me faz lembrar todos os filmes da minha vida começamos a brincar com as palavras que nos trazem paixão, dor e vicio! Em uma tarde do século vinte. Minha bisavó ainda esta viva e faz o que mais gosta de fazer em vida: fofocar com os vizinhos! Clarice começa a acariciar o bichano com uma agressividade carinhosa e com um olhar inexpressivo e eu sinto frio! Ela me conta o processo doloroso de G.H e eu querendo encontrar com minha barata dentro de um quarto escuro para re-começar a viver! Um sopro de vida surge no meio da conversa, é o gato que se assusta com algo (na verdade é o cigarro descuidado que cai por entre os dedos de Clarice e atinge o rosto do bichano). Ele corre pra longe sem olhar pra traz e vai buscar outro caminho . O café já esta frio pois eu estou com a estranha mania de balançar a xícara enquanto ouço o vinil, acho que para acompanhar o ritmo da musica.
Clarice cessa seu fluxo de pensamentos assim de repente, acende vários outros cigarros e vai colocar o lado B do vinil, enquanto isso caminho para a janela de seu apartamento de cobertura e olho para o chão, para a calçada, vejo um menino todo de preto caminhando na rua, sozinho, e eu fico acompanhando seus passos tentando brincar de decifrar seus pensamentos naquele instante. Seus passos são nervosos, apressados na medida em que suas pernas curtas de criança o permitem. Meus olhos estão mareados d’água. O menino cai no chão, atropelado por um outro ser animado que passa e lhe crava no peito um objeto pontiagudo. Eu o vejo caindo enquanto o outro corre pro nada. Clarice me traz uma taça de vinho e eu a bebo imaginando que aquele vinho é o sangue do menino morto na calçada. Dançamos a noite toda! Ah, o gato reaparece depois de algumas horas e se joga no meio da gente.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
proseando
Estou em processo. Processo de compor uma cena, processo de conhecer a mim mesma, processo de crescimento, e dando voltas em semicírculos. Algumas coisas acho que já poderia ter superado, mas... Período de descanso, carnaval. Para mim foi período de trabalho e dor de dente. Consumi E o Vento Levou duas vezes durante estes quatro dias e estou sentindo uma nostalgia grande, como se quisesse perfurar a barreira do tempo e cair em terras frescas e verdes do final da década de 30 só para deliciar-me no universo daquelas pessoas, atores, ATRIZES. Sempre nutri grande admiração por grandes atrizes, e acho que elas merecem meu mais precioso respeito. Melancólica! Será que sou uma pessoa melancólica?! Melancolia é uma fonte de humanização e todo ou quase todo ser humano passa por ela, pelo menos deveria. Algo que nos excede. Se assim o for eu sou uma pessoa melancólica porque tenho fome do mundo, sinto saudades de épocas em que não vivi, pessoas que não conheci e lugares que nunca estive. Como se quisesse agarrar o mundo ao longo de toda sua história já traçada até os dias de hoje, abraçar tudo o que posso e que gostaria de ter contato para me preencher, o vazio... Melancolia é isto?! Não sei. Mas esta sensação é algo que me excede, porque não cabe em mim. Continuo na pesquisa sobre o tema.
Agora, exatamente agora, as zero hora e quarenta e um minutos do dia 26 de fevereiro de 2009, na verdade o tempo cronológico não importa, o que importa é o agora, isto, agora e agora, exatamente agora, momento atual e presente, vivo, presente em mim mesma, eu estou sentindo uma doce vontade de ser boa com o mundo, praticar a gentileza, ser nobre, em uma louca paixão pela condição humana e imersa em uma angustia desconhecida. Isto vai e volta! Pêndulo.
Ha momentos mundanos, profanos, e momentos como estes, tão singelo! Não me suporto em mim mesma.
Estou lendo A paixão segundo GH de Clarice e convido-me a encontrar com a minha "barata dentro de um velho armário de despensa". Quero sentir profundo amor pela condição humana, para daqui alguns minutos voltar a sentir ódio e desgosto por muitas coisas e ser indiferente!
Preciso me encontrar me perdendo em semicírculos, dar curvas ao meu redor e me perder constantemente pois acreditarei que sempre que me perco estarei me reencontrando, na verdade! A paixão é um vicio humano, assim como o cigarro, o café, o chocolate e o sexo! Ela está presente aqui, quando escrevo estas palavras e sinto o gosto prazeiro de tocar o teclado, agora não mais de uma velha máquina de escrever, mas um teclado macio do meu computador, produzindo pequenos barulhinhos irritantes em meio a um silêncio ou quase silêncio noturno.
Gostaria de acordar amanha e preparar a mesa do café, dar bom dia ao cachorro e levá-lo para um belo passeio matutino, preparar o almoço e lavar toda a louça...