Hoje estou me sentindo menos ansiosa que ontem. Ontem a noite me senti incrivelmente ansiosa e mal. Não consegui dormir direito. A mente fuma um certo número de pensamentos que se repetem e se entrelaçam, e eu só quero um pouquinho de paz. Sair de casa, estar na rua, rever amigos e ouvir seus causos me confortam mais. Os livros estão sendo substituídos por prazeres diversos, desde uma boa xícara de café expresso até matar o desejo de poder andar a cavalo em uma estrada de terra qualquer.
Não quero me perguntar nada, só queria poder viver cada dia sem me preocupar com o que virá depois, mas não adianta. O poço da ansiedade emerge com agressividade tomando conta até da raiz dos meus cabelos. Tudo me afeta. Sensível.
Fiquei pensando como sou um sujeito híbrido, sem muita raiz em qualquer lugar, de passagem, em constante transição, caminhando por vários lugares. A minha ideia é poder criar uma rede de amigos em todo o mundo, ter um canto em cada canto.
Este lugar me sufoca sim, e não há quem diga o contrário, pois não não me pertence mais. Só me resta agora respirar e ter um pouco de paciência.
Quero fazer tudo certo, existe o certo? Pelo menos o que me parece certo.
Sou independente e preciso conquistar isto. Quero achar a minha casa, o meu lugar, que ainda não encontrei.
Estou pensando constantemente em ligar para Giancarlo, um senhor bolognese a quem tenho afeto. Apenas para senti-lo dizer: - Roberta, ti voglio tanto bene! Com aquela voz tremida de sua avançada idade.
Sinto falta de paisagens distantes daqui. Sinto incrivelmente falta da minha Pirifarina e de meus passeios comigo mesma pelas ruas de Bologna. Sinto falta dos gelati, do frio, da neve, de poder ficar andando pelas ruas de madrugada sem culpa e em paz. Eu e eu mesma. Sinto falta da loucura de Nova York, do Central Park, e de pessoas que sempre deixo....
Bebo latas de coca cola para fazer digestão dos meus pensamentos. Escrever é o único momento que me deixa realmente feliz!
Um pouco de paciência é preciso!
Tudo passa!
sexta-feira, 28 de maio de 2010
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Imagem fosca
Foi assim que me veio a imagem, fosca, quebradiça, irritante. Ela com a xícara de café na ponta dos dedos, segurando-se no salto alto agulha para não se desequilibrar. O café quente e a xícara trincada. Na boca um batom vermelho mal passado, agressivo, combinando com seu estado de humor do dia. Um sorriso desinteressado, esnobe, de alguém que não quer mais fazer parte daquilo ali, não mais em primeira pessoa. Os seus movimentos são desordenados e não combinam com técnica nenhuma, apenas com a energia com a qual ela acorda a cada dia. Lá fora da janela a poluição irrita seus olhos, muita gente passando, muito barulho se acumulando, muito terceiro mundismo que ela já não dá conta mais. Vomita! Seus ossos se quebram em um movimento staccato, sua voz quer dormir em um canto escuro sem ninguém para incomodar. Seus boletos estão pagos no prazo limite estabelecido. O café está esfriando, aos poucos, e a xícara vai se trincando, pedacinho por pedacinho. Ela sente o cheiro de um lugar muito distante de onde está, diz em grammelot pois as palavras existentes já não dão conta de seu caos interior, então, em grammelot, ela tem a ferramente que precisa para poder gritar. Ela lambe toda a sua boca e com alguns poucos movimentos seu batom desaparece. Ela está de salto, cabelos médios e castanhos, uma roupa elegante qualquer, maquiagem na face, perfume, de sobrancelhas feitas e depilada. Retira todos os vestígios de seu figurino anterior,e procura um novo layout. Ainda está a procura de sua casa pois ainda não possui uma, mas sabe que no momento ainda não a pode ter. A casa dos seus sonhos, o lugar dos seus sonhos.Quer percorrer o mundo. Ela começa a dançar um jazz, sente o gosto do petit gateau na boca, e fuma um black, claro, este não pode faltar. Dança devagarzinho, um som gostoso que se instala. Pede desculpas por não ser o que os outros esperam dela, ou não querer mais o que está vivendo no momento, mas está apenas mudando de ciclo, de rumo. Novo penteado, novos amigos, nova roupagem, novo país, nova casa, novo emprego, novas atividades... Ela quer mudança. Então deixa a xícara se despedaçar todo ao chão, o café espalhar e borrar o canto da sala,dá um leve sorriso como quem diz: completei este ciclo! Agora, me deixe viver o outro!varre a sujeira para fora dali. E sai!
sexta-feira, 30 de abril de 2010
vendo a cidade grande da janela
Um gole de coca cola bem gelada
um maço caro de cigarro black sabor menta
uma brisa fresca
de preferência, na sombra
sempre!
Uma canção qualquer que não a irrite
Agarrada á janela do quarto
vendo a cidade grande se acabar
olhando o tumulto das pessoas que se esbarram e se vão, apressadamente
para os seus compromissos diários
E ela não quer fazer parte desta maluquice
Aquieta-se em seu canto diário
Não possui diário ou coisa parecida
Apenas as palavras desordenadas,
vomitadas de sua mente
Vê o sol que bate forte lá fora
e está feliz por estar na sombra da sua casa
Olha seu quarto, todo desarrumado
Reflete no espelho
a desordem da sua casa interior
Toma mais um gole de coca gelada
Fuma outra black sabor menta
Respira fundo, está viva!
Está viva?
Ah, como é bom viver!
um maço caro de cigarro black sabor menta
uma brisa fresca
de preferência, na sombra
sempre!
Uma canção qualquer que não a irrite
Agarrada á janela do quarto
vendo a cidade grande se acabar
olhando o tumulto das pessoas que se esbarram e se vão, apressadamente
para os seus compromissos diários
E ela não quer fazer parte desta maluquice
Aquieta-se em seu canto diário
Não possui diário ou coisa parecida
Apenas as palavras desordenadas,
vomitadas de sua mente
Vê o sol que bate forte lá fora
e está feliz por estar na sombra da sua casa
Olha seu quarto, todo desarrumado
Reflete no espelho
a desordem da sua casa interior
Toma mais um gole de coca gelada
Fuma outra black sabor menta
Respira fundo, está viva!
Está viva?
Ah, como é bom viver!
terça-feira, 20 de abril de 2010
put my liptstick on...
Put my lipstick on for you
If i fall asleep baby call me in my dreams and i will wake up in a hurry
Be so strong and take off all my lipstick with just one kiss
Give me your best energy of love and make me fell like this distance between us is nothing comparing to our desire.
burn me burn me inside of me
all night
make me forget my world, my language and my accents
make me write and speak in grammelot
just the word of love and passion
insane
sanity
drink me
iam your beer
your red wine
your cigarette
make me fell like a bird
like a cat, like a catch me
scracth me.
iam yours
just tonight
...
If i fall asleep baby call me in my dreams and i will wake up in a hurry
Be so strong and take off all my lipstick with just one kiss
Give me your best energy of love and make me fell like this distance between us is nothing comparing to our desire.
burn me burn me inside of me
all night
make me forget my world, my language and my accents
make me write and speak in grammelot
just the word of love and passion
insane
sanity
drink me
iam your beer
your red wine
your cigarette
make me fell like a bird
like a cat, like a catch me
scracth me.
iam yours
just tonight
...
sábado, 7 de novembro de 2009
Impressão de um dia qualquer
Oh, segura a minha mão então, me beije e nem precisa falar nada. Palavras demais são desconfortáveis, causam um descompasso no coração da gente. Palavras poucas, poucas elas são necessárias. Então me vejo no mesmo processo cabuloso de tentar ser outra, outro, alguém fora da minha casa, de mim mesma, mas não consigo, mesmo tendo várias faces, estas se repetem. Reticências. Aqui fora está fazendo um calor insuportável, por vezes me queimo por dentro, outras vezes sou gelo.
Tenho vontade de me embriagar todo dia, de cerveja e de cigarro,ler os melhores livros e dançar as mais belas músicas. Tento compreender esta insanidade e este foco desfocado de cada dia, mas este turbilhão é bom, um pouco de cada um, eu tenho sede, e fome... um pouco de cada um, para variar um pouco. Ah menino, ah menina... pernas e mãos e olhos, e o sono que bate, vem forte, invade, um sono físico, psíquico, espiritual, um sono insuportável que não queria sentir.
Ei, psiu, este coração bobo se ilude mas gosta.
Tenho vontade de me embriagar todo dia, de cerveja e de cigarro,ler os melhores livros e dançar as mais belas músicas. Tento compreender esta insanidade e este foco desfocado de cada dia, mas este turbilhão é bom, um pouco de cada um, eu tenho sede, e fome... um pouco de cada um, para variar um pouco. Ah menino, ah menina... pernas e mãos e olhos, e o sono que bate, vem forte, invade, um sono físico, psíquico, espiritual, um sono insuportável que não queria sentir.
Ei, psiu, este coração bobo se ilude mas gosta.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Olho-mar, olha, o mar o lhe-amar
Tempo. Em um curto espaço de tempo acontece tanta coisa. Algo se quebra, vazio, fica o espaço! Esta ansiedade ligeira que perpassa meu corpo me provoca um frescor, de viver! Estes olhos-mar que encontrei outro dia por acaso, ou por querer, me embarcaram, me atravessaram, de uma forma que... Tento entrar nos meus livros, mastigar bem as palavras que estão sendo lidas, por vezes, atropeladas. Desejo de gente! De vocês!Aí então me acalmo um pouco, respiro, toco os dedos no teclado e me vem um milhão de coisas: a vida breve, o espaço de tempo a ser preenchido, o que foi dito e não-dito, os neologismos e todos os processos de formação de palavras, esta vida de diáspora, imigrante, perdida, transitória, apaixonada. E me vem novamente aqueles olhos-mar que encontrei outro dia, não os quero deixar andando por aí sozinhos.Vê se aparece de vez em quando para me ah, mar, ah mar de vez em quando. Eu não ligo pra tanta coisa, bobabem! Percebo cada osso do meu corpo, me torço e contorço e nesse contorço torço, mais uma vez, para que você apareça! Cada osso, ossinho, estalo, cabe em minha mão. Cada palavra mal gesticulada, mal-acabada, engolida ás pressas, mal-dita, maldita! Descartadas! Misturo tudo no liquidificador e tomo no café da manhã, ás pressas, com sono.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Quadrilha!
Maria amava João que amava a Rita
que namorava a Elena que gostava do primo
que desejava a coleguinha que pegava uma prima que gostava da professora
que era casada e havia dois filhos.
Maria nunca beijou João
Este pegou a Rita mas ela amava Elena e deixou ele na mão
Elena, que era amada, se desiludiu com o primo e pegou a estrada
O primo roubou um beijo da coleguinha
que lhe deu um olhar seco e fechou-lhe a cara
a prima que gostava da professora se desiludiu
esta largou o marido e os filhos e fugiu de casa!
Socorro! Botaram veneno na minha água! A menina corre pra casa e começa a chorar. A mãe diz que logo passa, mas para ela são milhões de segundos, minutos e dias multiplicados em eternidade! A mãe diz, bobinha, desamarra esta cara, a filha não pára, não pára, não pára. Não bebi porque quis, mãe. Tomei minha água e escolhi meia dúzia de sorrisos e olhos bonitos, fiquei encantada! Ah, como é doce gostar, filhinha! Esta peste que chega e invade. Mas a culpa é sua, filha. A culpa é sua, é também sua! Chora! Chora que dá gosto! Chora que refresca!Seja bem vinda à quadrilha!
que namorava a Elena que gostava do primo
que desejava a coleguinha que pegava uma prima que gostava da professora
que era casada e havia dois filhos.
Maria nunca beijou João
Este pegou a Rita mas ela amava Elena e deixou ele na mão
Elena, que era amada, se desiludiu com o primo e pegou a estrada
O primo roubou um beijo da coleguinha
que lhe deu um olhar seco e fechou-lhe a cara
a prima que gostava da professora se desiludiu
esta largou o marido e os filhos e fugiu de casa!
Socorro! Botaram veneno na minha água! A menina corre pra casa e começa a chorar. A mãe diz que logo passa, mas para ela são milhões de segundos, minutos e dias multiplicados em eternidade! A mãe diz, bobinha, desamarra esta cara, a filha não pára, não pára, não pára. Não bebi porque quis, mãe. Tomei minha água e escolhi meia dúzia de sorrisos e olhos bonitos, fiquei encantada! Ah, como é doce gostar, filhinha! Esta peste que chega e invade. Mas a culpa é sua, filha. A culpa é sua, é também sua! Chora! Chora que dá gosto! Chora que refresca!Seja bem vinda à quadrilha!
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